Onda azul: democratas tiram o Congresso de Trump


Apoiadores do democrata Adam Hamilton comemoram vitória ao Senado em Overland Park, no Kansas

Apoiadores do democrata Adam Hamilton comemoram vitória ao Senado em Overland Park, no Kansas

Jim Vondruska/Getty Images via AFP

Democratas conquistam Câmara e Senado e impõem revés histórico a Trump

Do UOL

O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3). A apuração continuava na manhã desta quarta. Na Câmara, os democratas somavam 228 das 435 cadeiras, contra 139 dos republicanos, e 68 disputas ainda estavam indefinidas. No Senado, o partido tinha garantido 54 dos 100 assentos e tomado sete cadeiras dos republicanos, inclusive em estados que votavam no partido de Trump havia décadas.

A eleição foi tratada como um referendo sobre o presidente, e o resultado foi uma rejeição ampla. Os democratas venceram a disputa pelo Senado e pelo governo do Texas, onde James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, e Gina Hinojosa tirou o governador Greg Abbott do cargo. No Kansas, o partido elegeu um senador pela primeira vez desde 1932. As pesquisas mostraram que o custo de vida, a alta dos combustíveis e a guerra contra o Irã pesaram na decisão do eleitor.

Trump disse ao The New York Times estar "absolutamente disposto a aceitar esses resultados" e que pretende trabalhar com a oposição. Nas redes, porém, afirmou que não estava na cédula e que, se estivesse, teria vencido "de lavada". Também culpou a Fox News e aliados pela derrota. Depois, publicou sem legenda a foto de um boné com a palavra "VETO". O recado é que ele deve usar o poder de veto para barrar o Congresso a partir de janeiro, quando os eleitos tomam posse.

O que a eleição revela

Uma vitória de proporções raras: pela estimativa do New York Times, a vantagem democrata no voto nacional para a Câmara deve ficar perto de 13 pontos, a maior de um partido em pelo menos meio século.

Viradas em território republicano: os democratas tomaram cadeiras do Senado em Maine, Iowa, Kansas, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas. No Maine, Susan Collins perdeu depois de cinco mandatos.

Marcos históricos: Abdul El-Sayed, eleito em Michigan, será o primeiro senador muçulmano do país. Keisha Lance Bottoms, eleita na Geórgia, é a primeira mulher negra eleita governadora na história dos EUA. Chris Pappas, de New Hampshire, será o primeiro homem abertamente gay no Senado. Em Ohio, Amy Acton é a primeira mulher eleita para governar o estado.

A base de Trump se desfez: a pesquisa de boca de urna feita para a AP e as grandes redes de TV mostrou guinadas de dois dígitos em direção aos democratas entre latinos, católicos e menores de 30 anos. Eleitores sem diploma universitário, que deram vitória a Trump em 2024, dessa vez preferiram os democratas.

Dinheiro não bastou: foi a eleição mais cara da história do país. Os super PACs de Trump e Elon Musk investiram juntos mais de US$ 780 milhões. A disputa no Texas, sozinha, passou de US$ 500 milhões.

O redesenho de distritos falhou: os democratas venceram em distritos da Flórida e da Carolina do Norte que os republicanos tinham redesenhado para proteger sua maioria.

O que muda em Washington: com o Congresso, os democratas passam a definir a agenda legislativa, influenciar o orçamento e abrir investigações sobre o governo. A Câmara pode abrir um processo de impeachment, mas a remoção exige dois terços do Senado. Derrubar vetos também exige dois terços nas duas Casas, algo que o partido está longe de ter.

Onde os republicanos se salvaram: na Flórida, a senadora Ashley Moody se reelegeu, e Byron Donalds, aliado de Trump, se tornou o primeiro governador negro do estado.

Ainda em aberto: as disputas pelo Senado no Alasca e no Mississippi, onde menos de 50 votos separam os candidatos, além de dezenas de cadeiras da Câmara.

Veja a apuração completa da votação.

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